Uma das principais lideranças do bolsonarismo em Pernambuco, o ex-ministro do Turismo Gilson Machado (Podemos) afirmou que o campo da direita no Estado ultrapassa os limites do Partido Liberal (PL) e criticou a possibilidade de o partido lançar candidatura própria ao Governo de Pernambuco nas eleições de outubro. Para ele, um nome sem competitividade acabaria dividindo o eleitorado conservador e beneficiando o pré-candidato do PSB, o ex-prefeito do Recife, João Campos.
As declarações foram dadas em contato com o Jornal do Commercio, no último domingo (21), em meio às discussões internas do PL sobre a possibilidade de apresentar uma candidatura própria ao Palácio do Campo das Princesas. O presidente estadual da legenda, Anderson Ferreira, confirmou ao JC que o partido avalia disputar tanto o Governo quanto o Senado e deve definir sua estratégia até o fim do mês.
Gilson, porém, afirmou que a prioridade da direita deve ser fortalecer o palanque do pré-candidato à Presidência da República Flávio Bolsonaro (PL), e disse não enxergar espaço para uma candidatura que, na avaliação dele, não alcance competitividade eleitoral.
“Não tem como, num momento desse agora, aos 47 do segundo tempo, lançar um nome olímpico que não alcance dois dígitos. Eu poderia lançar um candidato pelo Podemos, mas não vou, porque vai atrapalhar o palanque”, afirmou.
Segundo o ex-ministro, uma candidatura própria do PL teria impacto direto sobre o desempenho de Raquel Lyra (PSD), que conta com o apoio dele desde o início da pré-campanha.
“Uma candidatura hoje de um candidato olímpico, queira ou não queira, o voto que tirar, tira voto de Raquel, porque a direita não vota em João Campos”, declarou.
Questionado se esse movimento acabaria favorecendo o socialista, Gilson respondeu de forma direta.
“É óbvio.”
Gilson diz que direita “vai além do PL” em Pernambuco
Ao defender que o bolsonarismo pernambucano não se resume ao PL, Gilson afirmou que o partido perdeu parte de seus principais quadros ao longo dos últimos anos e que hoje as principais lideranças conservadoras estão distribuídas por diferentes legendas.
“Uma coisa é o partido PL, outra coisa é a direita de Pernambuco. A direita de Pernambuco hoje está muito maior fora do PL do que dentro do PL”, afirmou.
Para Gilson, a eventual candidatura própria do PL servirá também para medir o peso político da legenda no Estado.
“É bom que ele (Anderson) mostre, que aí a gente vai baixar ou aumentar o sarrafo do PL. Vamos ver a bitola dele”, disse, em referência ao presidente estadual da sigla, Anderson Ferreira.
Gilson citou parlamentares que deixaram o PL nos últimos meses, trazendo como exemplo os deputados federais Pastor Eurico (hoje no PSDB) e Fernando Rodolfo (hoje no PP), e os estaduais Joel da Harpa (hoje no PP) e Renato Antunes (hoje no Novo), além de citar lideranças da direita que já estão em outros partidos, como a deputada federal Clarissa Tércio (PP), que tem o nome ventilado para ocupar a vice de Flávio Bolsonaro.
“A direita do Pernambuco hoje está muito maior fora do PL do que dentro do PL. Você vê Pastor Eurico, Joel da Harpa, Gilson Machado Filho, eu. Você vê Fernando Rodolfo, você vê Clarissa Tércio, Júnior Tércio, Eduardo Moura, Felipe Alecrim, Renato Antunes. E tantos outros, hoje você vê muito mais parlamentar de direita fora do PL com mandato do que dentro do PL. Inclusive quadros que saíram do PL”, disse Gilson.
Durante a entrevista, Gilson revelou ainda que participou de conversas para construir uma candidatura que unificasse o campo da direita em Pernambuco, quando ainda estava no PL, em 2025.. Segundo ele, a articulação envolvia o deputado estadual Coronel Alberto Feitosa (PL) e o comunicador Cardinot, mas não avançou por falta de consenso dentro da direção estadual do partido.
“Nós arquitetamos uma candidatura, inclusive, com o Coronel Feitosa. Cardinot seria um excelente nome. Mas, infelizmente, a vaidade dos dirigentes do PL local não deixou a gente seguir em frente com essa arquitetura de uma candidatura da direita legítima”, afirmou.
Apoio a Raquel Lyra
Apesar das discussões em torno da estratégia eleitoral da direita, Gilson reafirmou que permanecerá no palanque da governadora Raquel Lyra e afirmou que seu principal objetivo é impedir uma vitória de João Campos.
“A minha luta é contra João. É ‘João não'”, enfatizou.
O ex-ministro ainda elogiou a gestão da governadora e afirmou que não vê sentido em abandonar o apoio ao governo estadual.
“Não tem como a gente, num momento desse, sair de Raquel Lyra, que é uma excelente gestora. Pegou o Estado acabado, financeiramente está recuperando as economias do Estado, recuperou a segurança do Estado.”





