A equipe jurídica do ex-prefeito do Recife, João Campos (PSB), apresentou nesta quinta-feira (27), no Novotel, uma série de medidas judiciais contra a governadora de Pernambuco, Raquel Lyra. Entre as acusações levantadas pelos advogados estão supostos casos de espionagem, abuso de poder político e econômico e a existência de uma “milícia digital” que teria atuado contra adversários da governadora.
Os advogados do PSB começaram a detalhar uma Ação de Investigação Judicial Eleitoral (Aije) apresentada ao Tribunal Regional Eleitoral (TRE). A ofensiva jurídica ocorre em meio ao aumento da tensão entre Campos e Raquel, que devem protagonizar a principal disputa pelo governo pernambucano nas eleições deste ano.
Entre os pontos apresentados pela equipe jurídica estão denúncias relacionadas a espionagem; utilização de ônibus fretados; uso do avião da governadora; suposto abuso de poder político e econômico, com extrapolação de gastos com publicidade; retirada de marcas e slogans associados a Raquel antes do período permitido pela legislação eleitoral; e a atuação de uma suposta “milícia digital” ou “gabinete do ódio”.
A ofensiva jurídica ocorre após a divulgação de reportagens sobre uma investigação da Polícia Federal (PF) em Pernambuco envolvendo uma empresa acusada de operar uma rede de perfis para disseminar informações falsas e atacar adversários políticos.
Uma reportagem exibida pela Record revelou uma gravação na qual Amisadai Andrade da Silva fala sobre ações destinadas a “desidratar” politicamente João Campos. Segundo a emissora, o material foi encaminhado à PF. Amisadai ocupava um cargo na Arena de Pernambuco e foi exonerado após a repercussão do caso.
O episódio levou João Campos a elevar o tom contra o governo estadual. Em agenda no município de Vicência, o prefeito afirmou que o suposto esquema teria utilizado dinheiro público para atacar adversários e alegou que a operação teria sido “decidida e negociada dentro do Palácio”, em referência ao Palácio do Campo das Princesas, sede do governo pernambucano.
Campos também afirmou que sua equipe jurídica adotaria providências para buscar a responsabilização dos eventuais envolvidos. As medidas apresentadas nesta quinta-feira ampliam essa ofensiva para outras acusações relacionadas à atuação do governo estadual.
Raquel Lyra, por sua vez, negou envolvimento com o suposto esquema e atribui as acusações a uma ofensiva de seus adversários políticos. A governadora afirmou que seu grupo também vem sendo alvo de ataques e disse já ter recorrido ao TRE, ao Tribunal de Justiça e às esferas criminal e cível.
Ao comentar o caso envolvendo Amisadai Andrade, Raquel confirmou a exoneração do então servidor e afirmou que seriam adotadas as “medidas cabíveis” para esclarecer os fatos.
A governadora também reagiu às acusações mencionando o que classificou como “velhas práticas” do PSB e sustentou que seu grupo já denunciou às autoridades a existência de um “gabinete do ódio” do lado adversário.
A apresentação das ações pela equipe jurídica de João Campos abre uma nova frente no confronto entre os dois principais grupos políticos de Pernambuco, agora também no âmbito da Justiça Eleitoral, às vésperas do início oficial da disputa pelo governo estadual.





